Conselho Presbiteral decorreu ontem em Braga
Mudanças culturais reclamam
novo paradigma na pastoral
Texto: José António Carneiro
A Arquidiocese de Braga está atenta às mudanças sociais e culturais do tempo presente assumindo a responsabilidade de pensar, reflectir e agir no sentido de colocar o serviço pastoral da Igreja na linha das exigências dessas mudanças permanentes. Na oitava reunião plenária, do X Conselho Presbiteral de Braga, que decorreu ontem, D. Jorge Ortiga lembrou aos conselheiros que «perante a mudança cultural, impõe-se a mudança pastoral».
Na palavra de abertura, o Arcebispo de Braga lembrou que perante as mudanças culturais do tempo actual «urge tirar conclusões e não sonhar com o passado», de modo que a Igreja diocesana assuma a «responsabilidade de evangelizar e edificar nestes tempos».
Salientando a «rapidez vertiginosa» das mudanças culturais e sociais, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa entende que «a Igreja tem de situar-se neste tempo» e que, diante da exigência da permanente mudança, são necessárias duas atitudes fundamentais: escuta e fidelidade ao Evangelho.
Por um lado, é imprescindível colocar-se numa «atitude de escuta» para «ouvir as expectativas mais íntimas dos contemporâneos e compreender os seus desejos e ansiedades». E esta atitude deve realizar-se junto dos baptizados que abandonaram, ainda que, segundo o prelado, seja «mais fácil marginalizá-los ou criar-lhe exigências impossíveis».
Por outro lado, não se pode «renunciar à diferença cristã» que é a «transcendência da mensagem» uma vez que «o Evangelho tem sempre uma novidade que nunca se pode adulterar».
Para D. Jorge Ortiga a renovação pastoral passa por estas duas atitudes e a missão e responsabilidade dos cristãos continua a ser a de «sentir-se chamado a mostrar e a transmitir a diferença evangélica para dar uma alma ao mundo».
Na reunião, o padre Roberto Mariz e o padre António Sérgio Torres apresentaram um tema sobre “Reorganização da acção pastoral, nas mudadas condições do tempo actual”.
O padre Roberto Mariz, pároco de S. Lázaro, fez uma análise sociológica de caracterização da sociedade e da Igreja. Apontou o individualismo, o relativismo e o liberalismo como características prevalecentes duma sociedade chamada já «hiper-moderna». Nesta, a pessoa, individualmente, constitui-se como regra levando a que não aceite o que é imposto de fora, por poder.
Diante desta mudança social, este sacerdote entende que é urgente «uma transformação do paradigma da pastoral», sendo fundamental «passar de uma pastoral assente na ideia de hierarquia para uma relação pessoal», ou seja, para uma «pastoral relacional».
Apontando alguns elementos actuais da Igreja – a privatização da fé, o retorno de uma certa piedade popular acompanhada de esoterismo, o olhar negativo sobre a hierarquia (padres, concretamente) e a diminuição da frequência sacramental – o padre Roberto Mariz defendeu que a pastoral relacional que é exigida nos tempos actuais permite à Igreja continuar a ser «sinal de esperança» no meio das dificuldades e contratempos da vida. Essa esperança leva também a um «compromisso» que é «activo e operante».
Pobreza e desemprego
preocupam diocese
Na reunião de ontem foi ainda apontada a preocupação da Igreja de Braga em relação aos problemas sociais que afligem a sociedade, especialmente ao nível da Arquidiocese, onde se localizam dois dos mais problemáticos vales do todo o país (Ave e Cávado) nos quais se registam, actualmente, graves problemas sociais.
O desemprego e a pobreza e o aumento do custo de vida estão entre esses problemas mais urgentes que deixam à Igreja arquidiocesana por um lado, preocupação e, por outro, compromisso na resolução.
Os conselheiros aprovaram, por unanimidade, a erecção em paróquia da comunidade de São Simão de Novais, em Vila Nova de Famalicão.
No ponto destinado à análise vida da arquidiocese, o padre Dário Pedroso deu informação da vinda das relíquias de Santa Margarida Maria a Braga, no próximo mês de Junho. Já o padre Avelino Amorim, director do Seminário de Nossa Senhora da Conceição, manifestou a disponibilidade do Seminário Menor visitar as comunidades. Por seu turno, o cónego Fernando Monteiro, ecónomo da diocese, salientou que o produto dos peditórios nas Eucaristias deve ser entregue até ao fim da primeira quinzena der Janeiro. O também administrador do Diário do Minho salientou que nos últimos dez anos, a empresa investiu mais de seis milhões e 500 mil euros e, com isso, duplicou a tiragem diária para mais de oito mil exemplares.
No encerramento dos trabalhos, D. Jorge Ortiga recordou a peregrinação nacional a Fátima, nos dias 24 e 25 de Janeiro, para assinalar a conversão de São Paulo. Lembrou, também, os encontros para o clero, nos dias 3 e 23 de Dezembro, acontecendo neste último o Almoço de Natal do Clero.
O Arcebispo Primaz terminou recordando o Simpósio do Clero a realizar em Fátima de 1 a 4 de Setembro de 2009 e exortando à leitura dos sinais dos tempos na fidelidade à vocação específica dos sacerdotes deixando que Deus fale a cada um.
in Diário do Minho, 26 de Novembro












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