2007/06/28

Se tu quiseres sonhar

 

Se tu quiseres sonhar Nada te pode impedir

 

Se quiseres amar

 

Basta o coração abrir.

 

Se quiseres navegar

 

De lago em lago e sorrir

 

Basta que o veleiro e o mar

 

Estejam prontos a partir.

 

Se as águas forem calmas

 

Serenas como o céu

 

Se lhe elevares palmas

 

Navega, o proveito é teu.

 

Mas nunca navegues sozinho

 

Porque podes naufragar

 

E nada adianta que peças

 

Ajudas em alto mar.

 

Quando partires leva alguém

 

Que te possa ajudar

 

Se não tiveres ninguém

 

Pede a Deus que te venha acompanhar.

 

Escrito por JAC em 09:09:47 | Link permanente | Comments (0) |

Despertar

Pé ante pé

Caminha, baixinho,

Um silêncio que fere

A brisa invade.

Luz apagada

Cerrada neblina

Do momento que avizinha

A madrugada.

31-5-07

Escrito por JAC em 09:01:23 | Link permanente | Comments (0) |

Sofrer dentro…

Escuro e pavor

No meio das trevas

Luzes apagadas…

Vazio e dor

Ferida de pedras

Arremessadas…

E fico sozinho

Chorando, ofegante,

Mas, baixinho!

5-6-07

Escrito por JAC em 08:58:03 | Link permanente | Comments (0) |

Homilia Domingo do Pentecostes 2007

  1. Intróito: O prometido é devido…

     

Já lá vão 50 dias desde que celebramos a Páscoa, a Ressurreição de Jesus.

 

A festa do Pentecostes marca o encerramento do Tempo Pascal.

 

A intenção desta festa passa por cumprir aquilo que havia sido prometido: Jesus tinha dito que depois da sua partida enviaria o Espírito Santo, para continuar, por meio Apóstolos, a sua missão com um alento e uma energia novas.

 

 

Diante desta Liturgia da Palavra riquíssima gostaria de centrar a minha reflexão na 1ª leitura e no Evangelho. Uma e outro nos relatam o dom do Espírito Santo dado pelo Pai, por meio de Jesus, aos Apóstolos. Esta festa do Pentecostes, como nascimento “oficial” da Igreja de Jesus Cristo, deve levar-nos por isso, a uma reflexão centrada na Igreja, que olhe a Igreja que somos chamados a ser neste século XXI, cheio de desafios inquietantes e exigentes.

 

 

  1. 1ª leitura

     

         Não é uma crónica jornalística mas sim uma catequese de Lucas sobre a Igreja e sobre a experiência do encontro com o Ressuscitado. Para Lucas, a Igreja é a comunidade que nasce de Jesus Ressuscitado e que é assistida pelo Espírito Santo. Ou seja, a comunidade forma-se depois da ressurreição de Jesus Cristo ser experimentada e acreditada pelos discípulos e depois destes receberem o dom do Espírito.

 

         Lucas coloca precisamente o dom do Espírito Santo na festa do Pentecostes. Esta festa, celebrada 50 dias após a Páscoa, era inicialmente de cariz agrícola pois agradecia a Deus as colheitas; depois tornou-se a comemoração histórica que celebrava a aliança de Deus com os homens por meio de Moisés ou seja, o dom da Lei, no Sinai. Por isso, a intenção de Lucas ao colocar o dom do Espírito, no Pentecostes, é mostrar que o Espírito Santo é a lei da nova aliança iniciada por e em Jesus Cristo.

 

         A partir desta leitura, podemos tirar algumas dilações e conclusões sobre o que deve ser a Igreja nos nossos dias, neste século XXI:

 

  • Comunidade de irmãos – dos que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática pois ser Igreja é permanecer fiel à comunidade

     

  • Reunidos em torno de Cristo – para fazer memória dEle

     

  • Animada e guiada pelo Espírito Santo – Ele é o verdadeiro protagonista da vida e da acção da Igreja. Deus conta com a nossa colaboração mas a iniciativa é sempre do Seu Espírito. 

     

  • Espaço de solidariedade e de partilha – casa para todos mas só alguns a aceitam

     

  • Universal e sem fronteiras, capaz de levar a sua mensagem a todos os povos e culturas.

     

  1. Evangelho

     

João coloca o dom do Espírito Santo no próprio dia da Ressurreição, da Páscoa. Por isso, nos apresenta a comunidade dos Apóstolos que vive o desalento, o desencanto e a frustração pela morte d’Aquele em quem haviam depositado toda a sua segurança e esperança.

 

        

 

Os discípulos estão medrosos, inseguros, fechados em si mesmos. Eles sentem-se órfãos abandonados e derrotados. Por isso, é que as portas estão fechadas.

 

        

 

Jesus, pela ressurreição, inaugura um novo estado, uma nova etapa. Diante das inseguranças dos discípulos, Ele propõe e oferece-lhes a paz, a tranquilidade, a serenidade. Como que dissesse a cada um deles, como a nós: “Tende confiança, eu venci o mundo”. A morte, afinal, não é a última palavra: a vida venceu.

 

 

Jesus, no entanto, traz em si os sinais e as marcas da cruz para dizer que é o mesmo que morreu… A vitória da vida, a ressurreição vem depois da morte e da cruz.

 

 

Jesus cumpre a promessa: dá o Espírito Santo, o Defensor, Aquele que ensina e recorda toda a sua mensagem. Neste dom do Espírito, há como que uma nova criação, uma recriação: Jesus sopra sobre eles como no relato da criação onde Deus sopra para dar vida. Deste modo, Jesus transforma o velho em novo, aqueles discípulos abatidos e sem esperança em audazes testemunhas da sua mensagem de vida para todos os homens.

 

 

Diante deste Evangelho, somos convidados e desafiados por Jesus à missão e ao anúncio. Ele diz-nos hoje “também Eu vos envio a vós” (ver o cartaz da comunidade). Jesus quer-nos comprometidos na sua missão e ser cristão, no nosso tempo como sempre, é ser evangelizador. Para isso, temos necessidade de saber abrir as portas da Igreja aos que vêm a ela, porque a Igreja é casa para todos ainda que só alguns a aceitem e reconheçam como tal e, também abrir as portas para que nós que já vimos à Igreja possamos partir para levar a mensagem de paz de Jesus Ressuscitado. Ou seja, a Igreja deve viver nesta dupla dinâmica: manter as portas abertas para todos, porque todos são bem-vindos e também ter as portas abertas para que dela possamos sair renovados e fortalecidos afim de anunciarmos pela nossa comunidade e pelo nosso meio ambiente a mensagem de Jesus Cristo.

 

 

Nesta consciência missionária que a Igreja é chamada a ter, é importante esta dinâmica do abrir as portas de par em par a todos e também ao Espírito de Deus que a guia e sustenta, mas também é importante e necessário saber fechar as mesmas portas da Igreja a ventos que não lhe sejam favoráveis e adjuvantes.

 

 

  1. Abrir e fechar portas…

     

 

A respeito desta necessidade da Igreja abrir e fechar as portas, consoante os ventos que sopram, gostaria de terminar esta reflexão, e sem me alongar mais, com uma pequena história que caracteriza bem este modo de estar da Igreja sempre e no século XXI.

 

 

“Certo peregrino, entrando num bosque, procurava um lugar onde pernoitar. Ao longe, descortinou um telheiro e para lá se dirigiu. Passaria a noite mais protegido, pensou. O telheiro fazia parte do que fora um templo. Era uma antiga Igreja em ruínas. Colunas truncadas, peças de escultura espalhadas por aqui e por acolá. Não foi difícil ao peregrino concluir que tinha havido ali uma Igreja, centro de uma antiga e grande comunidade.

 

 

- Mas porque ruíra aquela Igreja? Interrogava-se o peregrino. Quem terá feito isto? Uma guerra, um ataque a um alvo errado, um atentado

 

Até que sentiu brotar do silêncio, uma voz que lhe falava e dizia:

 

- «A ruína começou pelas portas».

 

O peregrino aproximou-se do lugar donde vinha a voz. A pedra angular, meio soterrada e meio coberta pelo silvado, repetiu:

 

- «A ruína começou pelas portas» …

 

- Mas porquê? Como assim? Perguntou o peregrino.

 

- «Porque estavam abertas, quando deviam estar fechadas;

 

porque estavam fechadas quando deviam estar abertas;

 

e porque deixaram entrar todo o tipo de vento»”.

 

 

Creio, caros irmãos, que esta deverá ser a grande aprendizagem da nossa vida e da vida da Igreja que somos. Saber manter as portas abertas ou fechadas, distinguindo e discernindo com sabedoria a origem e a natureza dos ventos. A Igreja está no mundo como sinal da presença de Deus e tudo deve fazer para que a sua única razão de existir seja, de facto, Deus e o seu amor por cada um de nós, suas criaturas manifestado e revelado em Jesus Cristo , por meio do Espírito Santo.

 

 

Que o Espírito Santo, nesta festa litúrgica do Pentecostes, e que hoje recebemos como dom do alto, nos santifique e fortaleça a nossa missão de testemunhar Jesus Cristo vivo e ressuscitado ao mundo de hoje, sem medos e não conhecendo fronteiras.

 

Escrito por JAC em 08:54:13 | Link permanente | Comments (0) |

2007/06/27

Passamento

   

 

Ancorei meu sonho na praia

 

Poisando os remos na areia

 

Cansado de tanto navegar

 

E ouvir cantos belos de sereia…

 

 

 

Quantas voltas dei ao mundo

 

Com o amigo veleiro

 

Na verdade, até sei de cor

 

Esse misterioso roteiro…

 

 

 

Olhando para os astros

 

E desvendando presságios

 

Estendi o meu corpo

 

Cansado do tempo e naufrágios…

 

 

 

A praia ficará indiferente

 

Tudo ficará consumado

 

O veleiro apodrecido

 

Meu coração parado…

 

 

 

Depois de tantas batalhas

 

Abrir-se-á também

 

Uma misteriosa rota

 

Que me levará mais além…

 

 

 

E buscar-me Deus virá

 

Dos altos céus aqui

 

No meu barco poisará

 

E eu irei dali! …

 

 

 

Escrito por JAC em 18:10:24 | Link permanente | Comments (0) |

Solis Spei

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ó sol da esperança

 

Que nasceis para todos igual

 

Sede o nosso guia

 

Neste mundo desigual.

 

 

 

Tu aqueces nossas vidas

 

Geladas pela dor

 

Tu acendes em nós

 

O fogo do Teu amor.

 

 

 

Tu abrasas corações

 

Desfeitos em rancor

 

Tu ofereces para todos

 

Tuas forças e Teu calor.

 

 

 

Escrito por JAC em 18:09:27 | Link permanente | Comments (0) |

Que mistério é o Meu Deus!

Procuro com insistência

 

Palavras p’ra te dizer

 

Mas que nada significam

 

No Teu mistério de ser!

 

As palavras em si mesmas

 

Não Te dizem com firmeza

 

Apontam algumas pistas

 

Que revelam Tua grandeza.

 

E no fim da reflexão

 

Que quer desvelar os véus

 

Eu só posso concluir:

 

Que mistério é o Meu Deus!

 

José António Carneiro

 

2006

 

Escrito por JAC em 17:51:36 | Link permanente | Comments (0) |

Nunca O deixarei de amar

 

Ó Homem, quem és tu?

 

Tanta força e impotência

 

Tanto poderio sem sentido

 

Que num momento só se esvai…

 

Teu projecto cancelado.

 

 

Ó Deus, que podes Tu?

 

Tudo, com certeza!

 

Perante o tempo incompreendido

 

Aquele momento passado

 

Aquele momento vivido

 

Em que tudo parecia perdido

 

Se Deus não agisse velado.

 

 

Duvide quem quiser

 

Mas, eu tenho a certeza

 

Que esse Deus existe…

 

Existe para amparar

 

Todos sem distinção

 

E basta abrir o coração.

 

 

E mais longe verá

 

Olhando o amanhã

 

O tempo que passou

 

E o que duvidou

 

Da existência do Pai.

 

 

Ele nunca abandona os filhos

 

Em qualquer tempo e lugar

 

Condenem-me se quiserem

 

Mas, nunca O deixarei de amar!

 

 

José António Carneiro

 

Escrito por JAC em 17:50:24 | Link permanente | Comments (0) |

Texto de Apresentação do meu Livro “Meu Deus”

          Na passagem do 1º aniversário da publicação do meu livro, publico esta entrada:

  Às sábias palavras “Deus quer, o homem sonha a obra nasce”, eu contraponho, em relação a este livro, “Deus quer, Deus sonha, Deus, pela obra, diz-se”. É assim que me sinto em relação a este livro. Posso dizer, com todas as letras, que o autor não sou eu mas Deus. Ele é que me inspirou tudo o que ele contém. Por isso, o livro é vontade de Deus, é o seu querer. O meu trabalho é de co-autoria. Eu passei para o papel o que Ele quis dizer. A minha reflexão é fruto da sua inspiração durante estes últimos cinco anos de formação teológica. Por isso, e porque a minha linguagem, como toda a linguagem, é limitada e imperfeita acautelo os leitores para o risco de que o que se diz sobre Deus não O dizer em totalidade.

 

            Quando falamos de Deus corremos esse risco, perigoso, porque falamos de uma realidade metafísica, transcendente, que não podemos açambarcar. Porque Deus é Totalmente Outro diferente de nós qualquer definição que façamos é insuficiente e imperfeita. Por isso, “Meu Deus” sem ser um compêndio de teologia é teologia na medida em que é um discurso sobre Deus. E porque a teologia se faz de joelhos, como dizia o teólogo Hans Urs von Balthasar, este livro é, para mim, um livro de oração. E porque de oração se trata permitam-me a leitura do poema “Que mistério é o Meu Deus” (o último poema a entrar nesta compilação).

 

            Não posso terminar estas palavras sem uma palavra aos propulsionadores deste livro. O primeiro já o referi atrás: Deus! É dele que depende o que escrevo. Além disso, merece todo o destaque a Junta de Freguesia, na pessoa do seu Presidente, o Dr. Bruno Fernandes, meu amigo em todas as horas. Ele, e com ele toda a Junta de Freguesia e, por consequência, a Freguesia inteira, são os meus mecenas, os responsáveis destas páginas se tornarem um livro. Estendo o meu agradecimento ao Dr. Barroso da Fonte pela estima e amizade que mostrou na edição do livro. Por fim, mas imensamente fundamental, pelo apoio e amizade de anos, a D. Amélia que me colocou este “bichinho” que se chama poesia dentro de mim e que me impulsionou a publicar alguns escritos. Em suma, por mim só, por mérito pessoal, não teria chegado a esta publicação e, por isso, a minha atitude só pode ser uma: gratidão. E na certeza de que sozinho vos não posso recompensar rezo e peço a Deus por cada um de vós. Essa é, com toda a certeza, a melhor recompensa que vos posso ofertar.

 

José António Carneiro | 21 de Junho de 2006

 

Escrito por JAC em 17:48:43 | Link permanente | Comments (0) |

Consolo solidário

Smile

Consolo solidário

 

Colocaste-me no mundo

 

para suavizar a dor de outras vidas

 

para acompanhar nos maus momentos

 

para ajudar a carregar pesos lancinantes de tantas cruzes

 

principalmente dos excluídos e marginalizados, simbolizados nas “viúvas”.

 

Envias-me como irmão a repartir ternura

 

a comunicar afecto

 

a dar força ao que ruiu

 

a consolar quem sofre

 

a sarar feridas

 

a amar todos como Tu, Jesus.

 

Envias-me pelo mundo

 

a dar a boa notícia do Teu amor

 

compassivo e clemente

 

a recordar que é possível a fraternidade

 

e que a igualdade é tarefa a atingir.

 

Envias-me a despertar consciências adormecidas

 

a tranquilizar os consumidos

 

a sossegar intranquilos e irritados

 

a criar clima de harmonia e acolhimento.

 

Envias-me todos os dias, todos os momentos

 

aos Teus filhos todos

 

a todos os recantos escondidos

 

a levar a Tua mensagem de Vida, Paz e Perdão.

 

Envias-me para que consiga para todos, Senhor,

 

a vida em abundância que brota de Ti,

 

a dignidade completa

 

o amor e o pão partido e repartido

 

em fraterna solidariedade.

 

Diác. José António Carneiro

Escrito por JAC em 10:19:27 | Link permanente | Comments (0) |
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