2007/07/27

uma oração

"Filho meu que estás na terra,
preocupado, tentado, solitário,
eu conheço perfeitamente o teu nome
e o pronuncio como que santificando-o,
porque te amo.
Não, não estás só, mas habitado por Mim,
e juntos construímos este reino
de que irás ser o herdeiro.
Alegra-me que faças a minha vontade
porque a minha vontade é que tu sejas feliz
já que a glória de Deus é o homem vivo.

Conta sempre comigo
e terás o pão para hoje, não te preocupes,
só te peço que saibas repartir com o teu irmão.
Sabes que perdoo todas as tuas ofensas,
antes mesmo de tu as cometeres,
por isso peço-te que faças o mesmo
àqueles que te ofendem a ti.
Para que nunca caias em tentação,
segura firme na minha mão
e Eu te livrarei do mal,
pobre e querido filho meu".

 tirado de:

Varanda dos Reis

Escrito por JAC em 20:37:07 | Link permanente | Comments (0) |

2007/07/20

Nada antepôr ao amor de Cristo

Nada antepôr ao amor de Cristo.

 

Porque ele quer

ser Mestre em nossa vida

ser Mestre em nossa vida.

 

Nada antepôr,

Nada antepôr,

Nada antepôr a Cristo.

 

Escrito por JAC em 19:47:52 | Link permanente | Comments (0) |

2007/07/14

Homilia XV Domingo do Tempo Comum

Próximo por amor

 

 

  1. “Que hei-de fazer para receber como herança a vida eterna?”

     

 

“Que hei-de fazer para receber como herança a vida eterna?” Esta pergunta serve de mote e dá-nos o sentido de toda a Liturgia deste XV Domingo do Tempo Comum. A pergunta que o Doutor da Lei faz a Jesus não é académica nem retórica mas sim uma pergunta de sentido que põe em jogo a finalidade da existência humana.

 

Permitam-me aflorar este Evangelho tradicionalmente chamado de Evangelho do “Bom Samaritano”.

 

Lucas apresenta, antes de mais nada, um Doutor da Lei portanto, um judeu justo, não pecador. Põe-lo a inquirir Jesus com elevada fineza teológica aliás, própria de um profundo conhecedor da Lei de Moisés. “Que hei-de fazer para receber como herança a vida eterna? Reparemos que não diz merecer mas sim “herdar”. Ora, todos sabemos que a herança é algo que não se conquista nem se ganha mas, recebe-se de modo absolutamente gratuito, como dom.

 

Jesus põe o Doutor da Lei a fazer o que ele mais gosta ou seja, a falar e a consultar a Lei. Evidentemente, a resposta que ele dá a Jesus é perfeita e completa mas também previsível. De facto, se a vida eterna fosse meramente uma questão jurídica, de leis portanto, este Doutor seria aprovado com nota máxima, academicamente summa cum laude.

 

Jesus reconhece a resposta do Doutor. Mas não se fica pelo conhecimento teórico da lei. Jesus acrescenta “faz isso e viverás”. Faz! Pratica! Não basta saber! É preciso fazer! E isto não é, de modo algum, um incentivo ao activismo estéril e difuso mas a tomar consciência que a vida deve comprovar e testemunhar o conhecimento que temos da Palavra de Deus.

 

O Doutor da Lei quer, no entanto, saber até onde deve levar a prática da lei e, por isso, pergunta “quem é o meu próximo” ou seja, até onde devo amar ou, ainda pior, a quem devo amar. Ele quer estabelecer os limites e os privilégios do seu amor.

 

[Era comummente aceite entre os doutores e mestres de Israel que estavam excluídos da categoria de “próximo” todos os inimigos. É, portanto, neste contexto que Jesus vai contar a parábola do Samaritano.

 

Antes de entrarmos um pouco na parábola convém esclarecer ou elucidar da hostilidade entre judeus e samaritanos. De facto, as relações destes dois povos foram, ao longo da história, muito conflituosas. 

 

Para um judeu o termo “samaritano” era equivalente a um insulto como bastardo, renegado, herege, excomungado. Do lado dos samaritanos, o ódio pelos judeus era da mesma proporção e pautado pela mesma moeda.

 

Ora, Jesus escolhe efectivamente um samaritano para a parábola que conta. Claro que a escolha é intencional. Jesus não responde directamente à pergunta do Doutor da Lei mas vais deixar que seja ela a tirar as dilações finais.]

 

 

  1. A parábola do “bom” Samaritano – alguns pormenores e pormaiores

     

 

         “Um homem” atravessava a perigosa estrada de Jerusalém para Jericó. Não identifica o homem. Diz simplesmente que é “um homem” apanhado pelos bandidos. O texto mostra as suas qualidades naquele momento: está “meio morto” portanto, ferido, abandonado e necessitado de ajuda.

 

         Passam, “por coincidência”, um sacerdote e um levita pelo caminho. Vejamos primeiro: “por coincidência” é muito significativo uma vez que não precisamos de ir à procura do irmão necessitado já que as circunstâncias da vida fazem com que os encontremos todos os dias. Então, por aquela mesma estrada passam um sacerdote e um levita e ambos passam ao lado, desviando-se do moribundo. Quer um quer outro exercem funções litúrgicas no Templo de Jerusalém; quer um quer outro conhecem bem as coisas de Deus; lidam diariamente com elas mas afinal de contas nada sabem de Deus porque nada sabem de amor, de misericórdia, de compaixão, de solidariedade. A religião que vivem estes “homens da Igreja” é oca, vazia, estéril, faustosa e solene mas nada tem a ver com o amor, com o coração esquecendo a compaixão, o primeiro dos sentimentos de Deus (cf. Ex 34, 6).

 

         É aqui que entra em cena “um samaritano”. Não se diz se é bom ou mau. Basta que seja “um samaritano” para acudir com amor o moribundo. A acção deste samaritano é minuciosamente descrita por Jesus. O samaritano segue o seu coração, esquece-se de si para servir o necessitado. E faz tudo isto movido por compaixão, porque passa junto dele, porque se aproxima e porque pára.

 

         Deste modo, depois da parábola, Jesus responde ao Doutor da Lei com outra pergunta como que virando o bico ao prego: “qual dos três te parece ter sido o próximo daquele homem?”. E com dificuldade, o Doutor da Lei lá reconhece, mesmo sem pronunciar o nome do samaritano, o que percebemos. Jesus (re)centra o problema: não está no saber até onde vai o limite de próximo, quem se deve considerar próximo mas sim em quem se torna próximo demonstrando ter assimilado o comportamento compassivo e misericordioso de Deus. O centro desta questão não está na vontade ou na escolha de cada um. Está na necessidade do outro que se torna totalmente uma responsabilidade para cada um.

 

 

  1. “Então vai e faz o mesmo”

     

 

         Jesus termina com este imperativo categórico ao modo kantiano. É o desafio de todos os tempos. Foi desafio para o Doutor da Lei como o é para nós neste século XXI. Para se “herdar” a vida eterna é necessário tornar-se, todos os dias, próximo do necessitado, por amor e compaixão, sabendo que o amor a Deus já está subentendido previamente.

 

         É hora de perguntarmos e pararmos: na minha vida concreta de quem me faço próximo, por amor e por compaixão? Pensemos nisto e conformamos a nossa vida sempre com a Palavra de Deus.

 

 

Diác. José António Carneiro       

 

Escrito por JAC em 22:31:52 | Link permanente | Comments (0) |