D. António Couto visitou S. João de Souto
Amor é a única surpresa
em mundo materialista
Texto e foto: José António Carneiro
«Num mundo materialista e neo-paganizado a única surpresa é o amor». Esta foi a mensagem central deixada por D. António Couto, ontem de manhã, na Eucaristia de encerramento da visita pastoral que realizou à paróquia de S. João de Souto.
Para o Bispo Auxiliar de Braga, a mentalidade actual atende apenas às soluções «ricas e técnicas, com três dimensões» levando a que o «amor que não tem três dimensões» seja ignorado e não vivido quer em relação a Deus quer em relação aos homens.
«Em nome de uma pseudo-modernidade e de uma técnica designada das “três dimensões”, somos muito capazes de dizer que o divórcio é que vale, o aborto é que é normal, abandonar doentes nos hospitais e nos lares é correcto. Ao invés disso, esquecemos as riquezas que não têm três dimensões, e o amor não tem três dimensões, mas todos o sentimos», afirmou aos presentes que encheram a renovada igreja paroquial de S. João de Souto.
Perante os párocos, cónego Manuel Joaquim Costa e padre Domingos Paulo Oliveira, e outros sacerdotes e diáconos, D. António Couto disse que «a única crise verdadeira que pode existir é a crise de amor. Não é uma crise financeira ou outra qualquer. A única que pode afectar o homem é a crise de amor».
Por isso desafiou os paroquianos de S. João de Souto a viverem concretamente o amor uns com os outros.
«Amai-vos uns aos outros e encontrareis o segredo da vida verdadeira e feliz, da vida de Deus. Inventai formas novas e encontrareis a felicidade e construiremos um mundo novo», defendeu na homilia.
Aludindo ao grande número de igrejas localizadas no território daquela paróquia, D. António Couto salientou o privilégio daqueles paroquianos. «Tive oportunidade de verificar que o espaço paroquial de S. João de Baptista tem quase tantas casas de Deus como casas dos homens portanto, estais bem servidos e deveis sentir, melhor que ninguém, a presença de Deus entre vós, já que Deus mora verdadeiramente no vosso meio», disse.
Ao falar do padroeiro, S. João Baptista, em especial do seu nome, que do radical hebraico, significa «Deus faz graça», o Bispo Auxiliar de Braga traçou alguns desafios aos presentes na celebração.
Apoiado, ainda, na liturgia da Palavra da Eucaristia, D. António Couto disse que «porque Deus é agraciador, nós devemos também ser agraciadores». Aqui nasce, segundo o prelado, a imitação de que S. Paulo falava na segunda leitura.
Olhando o padroeiro, «sabei que Deus faz graça e, por isso, os cristãos devem imitá-lo», afirmou.
A partir do Evangelho e baseado na ideia de Deus que é «o Pai que nos segura no colo», afirmou que o amor é a clave, a chave de leitura da vida. «Não é que Deus seja ignorante, mas a única linguagem que Ele compreende verdadeiramente é a linguagem do amor.
Deste modo, para o prelado, também, os cristãos devem dar mais importância a esta linguagem, e não se entreterem com argumentações académicas e balofas.
Jesus dá o tom da música para a vida: amar sempre e intensamente. Segundo D. António Couto, «vale mais uma solução pobre cheia de amor de que uma rica sem qualquer amor». E terminou: «Que Deus continue a fazer-nos carícias e amar-nos gratuitamente».
«Igreja deve
sair da sacristia»
No rescaldo da visita pastoral, o cónego Manuel Joaquim Costa referiu que a presença de D. António Couto «foi muito positiva» porque «encerrou a inquietação da pastoral da cidade», uma vez que privilegia o encontro directo com as pessoas. «A pastoral da cidade não se deve cingir às pessoas que frequentam a Igreja e as celebrações». Para o sacerdote «é necessário sair da sacristia» e ir ao encontro das pessoas.
Recorde-se que a visita à paroquia de S. João de Souto arrancou quarta-feira, com uma Eucaristia, onde D. António Couto ministrou o sacramento da Santa Unção. Seguiu-se um encontro com o clero que trabalha nas diversas igrejas e capelas do território da paróquia.
Da parte da tarde, o Bispo foi interrogado pelas crianças do Externato Paulo VI, durante uma visita àquelas instalações.
Na sexta-feira à noite realizou-se ainda uma assembleia paroquial que contou com a presença de cerca de 70 pessoas. De registar, que dada a desertificação de S. João de Souto, a paróquia não se estabelece tanto pela identificação territorial mas pessoal, o que faz com quer muitos paroquianos não residam em S. João de Souto.
in Diário do Minho
Escrito por
JAC em
09:36:24 |
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