Educação especial
Intervenção precoce é prioritária
em alunos com necessidades educativas
Texto: José António Carneiro
A aposta e focalização na prevenção e na intervenção precoce nos casos de alunos sinalizados para receberem educação especial foi defendida ontem, no decorrer das Jornadas de Educação Especial, na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Católica Portuguesa (UCP), no âmbito do Mestrado em Educação Especial.
A ideia foi apresentada por Filomena Pereira, da Direcção Geral de Inovação do Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação (DGIDC-ME), para quem se «está a agir tarde de mais em relação aos alunos com necessidades educativas especiais».
Esta reponsável considerou necessário «melhorar a capacidade de todos os professores para responderem a todos os alunos» de modo a que no processo de acompanhamento dos alunos com necessidades educativas especiais estejam envolvidos vários professores e técnicos e, obrigatoriamente, a família.
Referindo-se à reorganização da educação especial em curso, em Portugal, desde 2005, Filomena Pereira elencou os princiapis pontos da agenda para o desenvolvimento da educação inclusiva levados a cabo pelo Ministério da Educação. No decurso da sua intervenção afirmou que «o grupo dos professores especializados em Educação Especial é um grupo de profissionais que tem de ser muito bem gerido porque não chegam ainda para as necessidades». E completou que «o seu trabalho tem de ser reorientado para trabalhar com os alunos que têm necessidades educativas especiais».
A responsável da DGIDC-ME manifestou que actualmente as taxas de sucesso de alunos com necessidades educativas especias são melhores que no passado. Contudo, indicou que o problema do sistema actual tem a ver com o facto de «os profissionais não acreditarem na educabilidade de todas as crianças», uma vez que «as metodologias e as estratégias usadas muitas vezes não favorecem a aprendizagem», criando-se, desse modo, «baixas expectativas em relação a estes alunos».
Em relação às medidas educativas, a conferencista referiu o apoio pedagógico personalizado, a adequação curricular individual, a adequação no processo de matrícula e de avaliação e o currículo específico individual. Este conjunto de medidas deve contribuir, segundo Filomena Pereira, para que a educação especial seja vista como uma pedagogia aditiva dentro do currículo dos alunos com necessidades educativas especiais, que devem receber deste ensino apenas «aquilo que precisam para o seu desevolvimento».
A oradora convidada afirmou, a terminar a sua intervenção, que nos próximos dois anos, a Direcção Geral de Inovação do Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação vai avaliar o processo da reorganização da educação especial, dentro do novo quadro legal, a afim de perceber o contributo que, concretamente, a Classificação Internacional da Funcionalidade (CIF) deu e dá ao ensino especial em Portugal.
Jornada para promover
partilha de conhecimentos
O objectivo principal das jornadas passa pela «promoção de um fórum/encontro de reflexão e de partilha de conhecimentos e experiências na área da educação especial», referiu a coordenadora do curso de Mestrado em Ensino Especial, da Faculdade de Ciências Sociais da UCP. Filomena Ponte juntamente com António Melo, presidente da Associação Portuguesa de Pais e Amigos dos Cidadãos com Deficiência Mental de Braga (APPACDM) e as docentes Dina Carvalho e Lúcia Miranda compõem a organização desta iniciativa que termina hoje com a realização de três painéis sobre “As necessidades educativas especiais (NEE)”, “As TIC nas NEE” e “A arte nas NEE”.
Sendo as primeiras jornadas deste género que acontecem na instituição, elas «pretendem colmatar uma lacuna por falta de informação ao nível da nova legislação em vigor sobre o ensino especial», disse Filomena Ponte.
O dia de ontem encerrou com a apresentação da “nova” revista da APPACDM, conforme noticiou o Diário do Minho, na sua edição de terça-feira, dia 11. A apresentação decorreu na sede da instituição e esteve a cardo do vice-reitor da Universidade do Minho, Leandro Almeida.
Iniciativa dá voz
aos agentes educativos
Da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) veio Veríssimo Cabral para representar Walter Lemos. Este responsável enalteceu este tipo de iniciativas salientando que «dão voz a vários participantes no projecto educativo». Em nome do Secretário de Estado da Educação, o responsável disse que «estes eventos permitem recolher as ideias dos técnicos que trabalham no local, como dos docentes e dos investigadores da área da educação especial», olhada pela DREN com «muita esperança», «exigência» e «confiança».
Na sessão de abertura da jornada, o Cónego Pio Gonçalo Alves de Sousa, presidente da Comissão Instaladora do Centro Regional de Braga, representou o Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, – presente na Assembleia Plenária, da Conferência Episcopal Portuguesa – e o Reitor da UCP Manuel Braga da Cruz.
Para o Deão do Cabido Primacial da Sé de Braga, o Mestrado em Educação Especial e estas jornadas são uma amostra do esforço levado a cabo pela Faculdade de Ciências Sociais na sua oferta formativa de qualidade.
O responsável da UCP disse, ainda, que a finalidade da instituição é a educação e, por isso, a «educação especial, que se liga a pessoas deficientes, é uma área que merece especial carinho à universidade».
Já Maria da Graça Alves, directora Faculdade de Ciências Sociais de Braga enalteceu o contributo dado por alunos e antigos alunos na organização desta jornada.
Depois de falar do âmbito geral da instituição a que preside, a docente disse aos presentes que a iniciativa alia a voz dos técnicos que trabalham no terreno com os conhecimentos de docentes e investigadores da área. «Isto mostra a vitalidade da instituição e um dar de mãos entre a prática e a teoria que será, certamente, proveitoso para todos», afirmou na sessão de abertura.
in Diário do Minho, 14 de Novembro
You did it! …How did you do it?