Bíblia deve ser centro da acção pastoral da Igreja
Texto: José António Carneiro
Frei Lopes Morgado deixou ontem de manhã, ao Conselho Pastoral da Arquidiocese de Braga, uma série de desafios e propostas em ordem a uma pastoral bíblica e a uma animação bíblica de toda a pastoral. Para o frade capuchinho é fundamental passar de uma pastoral que tem na Bíblia um suporte para uma pastoral que vê a Bíblia como uma Pessoa.
Em declarações ao Diário do Minho (DM), à margem de um encontro extraordinário do Conselho Pastoral da Arquidiocese de Braga, Frei Lopes Morgado defendeu que «os cristãos, pela vida, devem mostrar que a Bíblia não é apenas um livro, mas uma Pessoa». Todavia, reconheceu que não se pode ser agressivo com as pessoas em geral e com os cristãos em particular em relação à dita ignorância e desconhecimento bíblicos. O frade capuchinho entende que o importante é desafiar e exortar com ternura e doçura, concretamente, para a Lectio Divina que considerou ser a melhor forma de ler a Sagrada Escritura.
Para este biblista do Centro Bíblico dos Capuchinhos, de Fátima, «não haveria tanto desconhecimento bíblico se, ao menos, os cristãos escutassem as leituras proclamadas nas Eucaristias dominicais». Contudo, «o problema é que, muitas vezes, as pessoas que participam nas celebrações não percebem os leitores, não os ouvem ou estão distraídas».
Olhando o exemplo dos protestantes que facultam o próprio texto bíblico aos seus fiéis, Frei Lopes Morgado entende que uma das formas de combater a ignorância bíblica é «facultar às pessoas a possibilidade de conhecerem os textos bíblicos antes mesmo das celebrações». Para tal, sugere que os boletins paroquiais, onde os houver, apresentem ou o texto na íntegra ou, pelo menos, a sua localização na Escritura para que em casa e durante a semana, as pessoas possam meditar os textos.
Sobre o Sínodo dos Bispos realizado recentemente no Vaticano, sobre a celebração do Ano Paulino e sobre o triénio pastoral dedicado à Palavra de Deus, no âmbito da Arquidiocese de Braga, disse tratar-se tudo de «iniciativas que pretendem ir mais além da informação bíblica». Neste âmbito, considerou que os objectivos têm a ver com a centralidade da Bíblia e com a própria formação bíblica. Concretamente sobre o Ano Paulino afirmou que este deve ser visto como um «ponto de partida para se descobrirem os tesouros da Bíblia». Também a este respeito, criticou o facto de parecer que a Igreja quer fazer num ano, e com este Ano Paulino, aquilo que ainda não conseguiu fazer em mais de 40 anos de Concílio Vaticano II.
O padre António Sérgio Torres, pároco de S. Vítor, disse ao DM que esta reunião intermédia do Conselho Pastoral Arquidiocesano teve como principal finalidade a reflexão e a preparação do encontro deste organismo que fará a programação do próximo ano pastoral já a partir do primeiro trimestre de 2009.
in Diário do Minho
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