Catequistas com S. Paulo
Encontro da Zona Pastoral da Cidade de Braga
Catequistas desafiados
a catequizar-se por S. Paulo
Texto e foto: José António Carneiro
Os catequistas provenientes das nove paróquias da Zona Pastoral da Cidade do arciprestado de Braga estiveram reunidos, durante a manhã de ontem, para se deixarem catequizar por S. Paulo e descobrir, um pouco, a sua obra. No encontro que decorreu no Centro Cultural e Pastoral, foram apresentados os resultados do trabalho realizado no ano passado sobre o Directório Geral da Catequese (DGC) e apresentadas duas conferências sobre S. Paulo, nas quais foi apelidado de modelo de catequista (ver a outra peça nesta página).
O padre Domingos Paulo Oliveira, responsável pelo Secretariado da Catequese ao nível da Zona Pastoral da Cidade, referiu que a actividade pensada e programada para todos os catequistas, durante este ano, tem como finalidade e objecto o aprofundamento da vida e da obra do “Apóstolo dos gentios”. O Apóstolo será, durante este ano, «guia nos caminhos da escuta da Palavra e no alargar esta mesma Palavra para além das cómodas fronteiras das salas de catequese», disse.
Neste sentido, a equipa responsável pela catequese ao nível da cidade pretende que mais que um estudo bíblico, esta iniciativa pastoral seja capaz de provocar a «paixão pela leitura da Palavra de Deus e comprometa na vivência da mensagem de Jesus Cristo».
Para o também pároco da Sé e de S. João de Souto – com o cónego Manuel Joaquim Costa – o objectivo geral da proposta de trabalho para este ano pastoral passa por fomentar, igualmente, um maior relacionamento interpessoal entre catequistas das paróquias da cidade, a partir do estudo aturado das cartas de S. Paulo.
O sacerdote defende que esta inicativa tem a vantagem de colocar os catequistas a trabalhar interparoquialmente. E, além do mais, considera que este tipo de trabalho pode, porventura, ser alargado a outros sectores da pastoral e a outros movimentos, em especial em zonas citadinas.
Este relacionamento interpessoal será concretizado por meio da promoção do conhecimento interparoquial das estruturas, sistemas e organizações catequéticas, pela partilha de conhecimentos adquiridos sobre as cartas paulinas, pela promoção do acolhimento na paróquia aos catequistas visitantes, e finalmente, por meio de celebrações e momentos de oração com os catequistas visitantes.
O encontro de ontem começou pela apresentação dos trabalhos sobre o DGC que foram elaborados pelos catequistas de Santo Adrião, Ferreiros, S. Vicente, Sé (Patronato e Visitação), S. João de Souto, Cividade, Maximinos, S. Lázaro e S. Victor. Esta pequena publicação foi dada aos catequistas que estiveram presentes no encontro, mas, também, será disponibilizada aos que não estiveram.
Seguidamente, o padre João Alberto Correia, pároco de Frossos, e o padre Hermenigildo Faria, pároco de Real, apresentaram duas conferências sobre S. Paulo no intuito de dar luzes e pistas aos catequistas, pensando já na actividade pastoral deste ano.
Os presentes aproveitaram a oportunidade para colocaram aos dois sacerdotes, formadas em Bíblia, as suas questões e dúvidas. De realçar, que a questão da terminologia em relação à chamada conversão de S. Paulo foi uma das mais debatidas.
Agentes pastorais não devem
trabalhar por conta própria
Texto e foto: José António Carneiro
Os agentes pastorais, especialmente os catequistas, não devem trabalhar por conta própria mas sim em comunhão com o pároco, a comunidade paroquial e toda a Igreja. Esta é a conclusão que resulta das duas conferências que decorreram, ontem de manhã, durante o encontro de catequistas da Zona Pastoral da Cidade de Braga, proferidas por dois padres.
A partir da Carta a Filémom, o padre Hermenegildo Faria, pároco de Real, deixou aos catequistas o desafio de desempenharem a sua missão como o Apóstolo dos gentios porque, durante a sua actividade evangelizadora, S. Paulo procurou sempre não o seu próprio bem mas o da Igreja.
Baseado no exemplo paulino, o sacerdote bracarense defendeu que os catequistas não trabalham por conta própria uma vez que «o anúncio do Evangelho não depende de uma pessoa mas de toda a comunidade e da Igreja.
Como «Paulo não trabalhou por conta própria, mas ao serviço do Evangelho e da Igreja», assim os catequistas se devem situar em relação à sua missão. Aliás, «todos os que têm alguma autoridade na Igreja e todos aqueles que são chamados a gerir tensões deviam seguir o exemplo de S. Paulo», defendeu o padre Hermenegildo Faria.
Depois de fazer a leitura da carta de S. Paulo, o sacerdote mostrou que, na argumentação paulina, o Apóstolo consegue transpor a ordem jurídica para uma ordem eclesiástica a fim de instaurar uma nova ordem cristológica, na qual todos são considerados irmãos.
O conferencista referiu ainda que Paulo consegue de uma simples carta de recomendação passar a uma carta apostólica e canónica. O artifício usado para isso é o alargamento do âmbito do problema. Paulo engloba a comunidade e a Igreja num problema que é aparentemente particular.
Paulo, homem e escritor
“S. Paulo, homem e escritor” foi o título dado pelo padre João Alberto Correia, professor da Faculdade de Teologia, à sua intervenção. O sacerdote distinguiu quatro fases da vida do Apóstolo: «judeu praticante e zeloso, iluminado fervoroso, missionário itinerante e prisioneiro e organizador da comunidade».
Da primeira fase, o pároco de Frossos destacou a fidelidade à fé e a observância irrepreensível da Lei. Depois, sobre o segundo momento, e sobre a conversão de S. Paulo, o professor de Sagrada Escritura afirmou que «este acontecimento foi tão importante que a vida de Paulo se pode dividir entre o antes e o depois da queda na estrada de Damasco». Contudo, «não pensemos que a sua mudança foi tão momentânea e brusca como aparece narrada no capítulo 9 dos Actos dos Apóstolos».
Sobre a fase das viagens missionárias de Paulo salientou que a «metodologia é quase sempre a mesma». Começando pelo anúncio na sinagoga e consequente recusa dos judeus, o Apóstolo volta-se para os pagãos, na praça pública.
Na última fase da vida S. Paulo aparece como «prisioneiro e organizador de comunidades». Precisamente nesta época escreveu as cartas que hoje aparecem elencadas no cânone da Bíblia.
Sobre elas, o padre João Alberto Correia falou da organização interna e dos aspectos literários, entre os quais os recursos à diatribe, às perguntas retóricas, ao exagero semita, à ironia, antíteses, paradoxos e à argumentação escriturística.
in DM, 26/07/08
Escrito por
JAC em
12:19:19 |
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