Igrejas Lusófonas reunidas em Macau
Arcebispo crê na reconciliação
entre o Vaticano e a China
Texto: José António Carneiro
O Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, acredita na «reconciliação» entre o Vaticano e a Igreja da China, mas compara esta missão de Roma à ousadia de abrir novos caminhos dos portugueses dos Descobrimentos.
«Assim como os portugueses outrora tiveram essa ousadia de criar, de inventar, de estar abertos ao espírito para poder inovar e abrir caminhos novos, temos de ser um pouco mais aventureiros, não à aventura desnorteada, mas àquela aventura que segue o espírito», o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).
O Arcebispo de Braga, entendendo que «é essa a única atitude que podemos ter neste momento», sustentou que acredita e está convencido que a Igreja Católica «rapidamente conseguirá ter aquele espaço de liberdade para em unidade e em comunhão com a hierarquia de Roma» poder divulgar a Palavra de Deus no continente chinês.
Para D. Jorge Ortiga, o tempo é de esperança e de trabalho: «esperança porque em certo sentido parece que há uns ares novos que se respiram mas ao mesmo tempo o ambiente da liberdade ainda não acontece», e trabalho porque a aproximação «exige confiança».
«É um tempo de expectativa e de esperança activa, de trabalho, de confiança e abertura ao espírito e naturalmente de uma certa ansiedade por poder, num clima de liberdade, de reconciliação e de perdão entre as diversas igrejas da China, poder anunciar o amor de Deus e da Igreja», afirmou o presidente da CEP.
Bispos denunciam
desumanidade com imigrantes
Os Bispos Lusófonos estão preocupadas com a «desumanidade» com que esta a ser conduzida, na Europa, a «questão da imigração». Foram várias as Igrejas que pediram à CEP que encontre formas de fazer chegar aos Governos Europeus esta indignação e revolta sentidas.
Os Bispos, reunidos em Macau, abordaram a situação de muitas centenas de estudantes lusófonos que, sobretudo em Portugal, buscam uma oportunidade para se formarem e que, frequentemente, se sentem desamparados por causa do incumprimento de promessas de apoio, deixando-os à mercê de exclusões dolorosas.
Também o atentado ao Presidente da República de Timor e a actual situação de Angola mereceram uma atenção especial.
Segundo o sacretariado deste encontro, «das explicações dadas, resulta uma razão para a esperança, embora acompanhada de uma atenção e percepção do sentido da marcha que novos actores políticos podem imprimir aos seus Povos, de forma a que a Igreja se vá habituando a, aprender a conviver com as diversidades culturais, religiosas, etnocêntricas que cada vez mais vão convivendo com tradições religiosas e/ou de religiosidade popular, o que implica uma pedagogia pastoral atenta e de grande proximidade com as pessoas para as ajudar a discernir o que é e o que não é cristianismo autêntico».
Como tem sido hábito nestes encontros, a partilha entre as várias Igrejas ocupa o primeiro lugar na agenda de tarbalhos, uma vez que, «em contexto de Igreja-Comunhão, ninguém ensina nada a ninguém, mas todos aprendem com a permuta de informações e análises de natureza religiosa, antropológica e sócio política dos seus Povos», refere o secretariado.
Ontem e anteontem, foram detalhadamente apresentadas os problemas e desafios que se colocam às Igrejas e algumas linhas de orientação pastoral que vão sendo ensaiadas, em «tempos que deixaram há muito de ser de Cristandade para se transformarem num novo ciclo de Evangelização em contextos sociais, antropológicos e políticos marcados já por uma acentuada descristianização, indiferença religiosa, e por um laicismo agressivo que perpassa por todos os países/territórios onde a Igreja continua a evangelizar».
Para os Bispos Lusófonos, «a concentração de multidões à volta das grandes cidades com todos os problemas que tal concentração significa são, por um lado, grandes desafios que se colocam à Igreja, mas, por outro, constituem também oportunidades de intervenção pastoral que reclamam dos agentes evangelizadores criatividade, discernimento dos sinais dos tempos e uma atenta análise dos múltiplos e complexos problemas com que o seu rebanho se confronta».
in DM, 26/09/08











