2008/10/03

Meio cheio ou meio vazio?



(texto)José António Carneiro

Um copo de água pela metade está meio cheio ou meio vazio? A resposta mais usual será: “Depende!”.
Num tempo tão prolixo em críticas e desabafos em relação à actual crise económica mundial, permitam-me que hoje reflicta sobre a questão do optimismo ou do pessimismo com que olhamos as situações.
Efectivamente, a resposta pessoal dada a esta pergunta – como todas as respostas que damos na vida – são condicionadas pela nossa circunstância e momento de vida. Na prática, são o resultado de um emaranhado de condicionantes. Em relação à pergunta inicial, poderei responder que está meio cheio, se me encontrar optimista, ou que está meio vazio, se estiver pessimista.
Pois, perante a actual crise económica mundial e consequente instabilidade e incerteza nos mercados internacionais podemos ter duas visões. Uma, a mais fácil, a de criticar tudo e todos e ver, no fim, quem se salva (poucos serão!). A outra, bem mais difícil, a de olhar a situação com optimismo – não aquele que fecha os olhos aos problemas, mas aquele que busca sempre novas soluções, grandes ou pequenas –, ou, ainda, valorizando as tentativas de resolução que vão surgindo (por exemplo, o plano “Paulson”, pelo qual os EUA pretendem recuperar o sistema financeiro).
Todos vão tendo e dando as suas opiniões sobre a resolução desta crise. Penso que terá de começar por passos pequenos, concretamente no que diz respeito à economia familiar e à gestão das finanças do agregado.
Mas, esta questão do optimismo e do pessimismo (defendidas, ao nível da Filosofia, por Leibniz e Schopenhauer, respectivamente), apesar de não ser linear, mas ambígua, traz-me à memória o profeta Jeremias. A forma como este homem de Deus olhou a “crise” do seu tempo – “vejo um ramo de amendoeira” – parece-me paradigmática e oportuna para todos.
Ver a esperança, o positivo e o novo a nascer, mesmo no meio do lodo e do lamaçal, parece-me o primeiro passo para resolver os problemas. Não duvido que esta forma nova de olhar será um contributo favorável para a reposição de uma ordem económica mundial mais estável, equilibrada e equitativa.

in DM, 03/10/08


Escrito por JAC em 14:49:38 | Link permanente | Comments (0) |
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